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Saltos ⭕️ & Sapatilhas

| Women’s Health Lifestyle Blog| Um blog cheio de modernices, feminices e pedacinhos de neura com ciência.

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Saltos ⭕️ & Sapatilhas

19
Mai20

Saúde da Mulher. Sim, é o meu público

MartaGomes Saúde da Mulher

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Muitas vezes questionam-me: Então, o teu público-alvo é só mulheres?. E eu, sem me aperceber, como se sentisse vergonha, retraio-me e digo sim, mas também posso trabalhar com homens. 

Na verdade, o meu foco é a saúde da mulher. Na verdade, o meu foco é colaborar para o desenvolvimento do potencial da mullher. Na verdade, o meu foco é que a mulher veja o ser incrível que é. Na verdade, o meu foco é criar ferramentas para que as mulheres resolvam os seus problemas por si próprias. Na verdade, o meu foco é ajudar a que as mulheres se tornem melhores. 

Ou seja, não as melhores, não as superiores, não as fortes, invencíveis e mais além. O meu foco é apenas e só que a mulher seja ela própria sem vergonha, sem medo. Que a mulher seja afectiva, criativa, vulnerável, honesta e estabeleça, primeiramente, uma boa relação consigo própria. Para mim, tal é saúde da mulher. Para mim, tal é saúde familiar. Para mim, tal é saúde do homem. Para mim, tal é saúde infantil. Para mim, tal é saúde laboral. Para mim, tal é saúde na comunidade.

Não sei se é por ser mulher. Não sei se é por ter procurado sempre respostas. Não sei se é por ter tido um período de desenvolvimento da personalidade em que sempre fui confrontada com as responsabilidades de uma mulher numa família, as responsabilidades de uma mulher numa relação. Não sei se foi por tantas vezes ver mulheres esquecidas de si próprias. Não sei se foi por tantas vezes ver mulheres a querer sempre agradar os outros e sem saberem responder à questão de o que as agradava.  

Podem ter sido inúmeros fatores que me levaram para este caminho mas, o que é certo, é que é neste tema que a minha criatividade expande, que a minha vontade de estudar história, cultura geral desperta, que a minha vontade de me debruçar sobre filosofias e psicologia analítica se vem juntar a toda uma construção de estudo do corpo de anos.

Comecei com a minha tese de licenciaturas em grávidas. O meu objectivo era pós-parto mas há 12 anos atrás eram inexistentes. Fechavam-se em casa e ninguém as via. Não procuravam reabilitação, não procuravam ajuda, o baby-blues era mais do que falado e o pós-parto era, por isto tudo, visto como negro.

O pós-parto é dos maiores desafios de uma mulher. São imensas as transformações no seu corpo e no seu íntimo. Primeiro, um corpo que se vai modificando ao longo de 9 meses mas, o facto da barriga estar preenchida por um novo ser, por uma nova vida que se espera com tanto entusiasmo, faz com que muitas vezes a mulher se mime mais e é, também, mais mimada por todos à volta.

Quando o bebé nasce, de repente, a luz dela apaga. A mulher passa a mãe e deixa de ser o foco. É um ultraje se alguém ousa dar uma prenda ou mimar a mãe em vez do bebé, do novo ser. O papel da mulher é agora de servir. De ser cuidadora. Cuidadora do bebé, cuidadora da família. É aquele momento em que sempre que ela receber e não der será julgada e apredejada. 

O que mais me dói não é tanto o julgamento por parte dos homens porque eles não fazem ideia do que é ser mulher e não fazem ideia do que é gerar um novo ser, dar à luz e amamentá-lo. O que me dói é ver o julgamento entre mulheres. De julgarem o que uma não faz em vez de verem o que tanto ela tenta fazer. De julgarem o comportamento de uma mulher por aquilo que percepcionam que ela se tornou. De apontarem o dedo quando vêem uma mulher a ter a vida dela, a tomar as decisões dela, a respeitar-se a si própria, a cuidar-se quando devia estar a fazer o que toda a sociedade considera que é correto, cuidar do outro. 

Mais uma vez, o pós-parto não é fácil. É um período que não se quer passar sozinha. É um período com um novo ser, que não se conhece apesar de ser nosso. É uma nova identidade. É alguém que está a descobrir o mundo, está a ter as primeiras experiências neste mundo e nos estamos a descobrir com ele também. Ser mãe é um novo mundo. Ninguém nasce ensinada, ninguém está preparada apesar de existir algo de inato que permite essa conexão com o novo ser. 

Tudo o que é novo absorve-nos. Tudo o que é novo faz-nos alterar rotinas, comportamentos e até formas de ver as coisas. Tudo o que é novo acrescenta-nos e muda-nos. E é muito importante fazer este caminho com ajuda. É importante um pai activo, um pai presente. O homem é, muitas vezes, visto como o responsável por assegurar segurança, casa e dinheiro à familia. Mas ninguém é feliz com sobrecarga. Os papéis estão cada vez mais a ser divididos. Um homem, um pai, pode, também, ficar com o filho enquanto a mãe vai fazer algo que gosta como fazer recuperação pós-parto, como ir ao cabeleireiro, como ir comprar algo para ela prórpia, como ir almoçar com as amigas. Porque é que a sociedade crítica? E se o pai der sempre a desculpa de que vai trabalhar e for, na realidade, ter um encontro? E, se um pai, dado o pós-parto conferir muitas alterações de humor na mulher e uma líbido reduzida, tiver uma vida dupla, porque é que a sociedade não crítica?

Se, realmente, quisermos ver bem o que se passa à nossa volta, a mulher é o alvo de crítica. A sociedade definiu um papel para a mulher que faz com que quem saia dessa definição lhe seja apontado o dedo. 

Não sei se é por ser mulher ou não que tenho esta visão. Não sei se é por ser mulher ou não que acredito tanto na saúde da mulher integrativa, na abordagem biopsicossocial. Sei que sou mulher. E que é neste caminho que vou vejo futuro. É neste caminho que vou continuar. 

07
Mai20

Sexualidade, descontraídamente

MartaGomes Saúde da Mulher

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A sexologia ou “ciência do sexo” surgiu no final do séc. XIX e princípios do séc. XX.
Para Freud, um só orgasmo acontecia nas mulheres maduras: o vaginal. Caso a mulher não conseguisse aceder ao orgasmo era classificada de frígida. Norman Laire, no final dos anos 30, defendeu que a frigidez da mulher ocidental se devia à incapacidade dos homens ocidentais estimularem as suas mulheres. Neste mesmo periodo, na América, médicos, criminologistas, sexólogos e investigadores sociais desenvolveram novos métodos de estudo a fim de terem acesso a informações específicas da vida sexual. Concluíram que, as mulheres de classe trabalhadora estavam associadas à promiscuidade e as de classe média associadas a uma frigidez.
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Nos anos 70 surgiu o movimento de libertação feminina. A contracepção veio mudar o modo de pensar passando o sexo pré-conjugal a ser aceite entre os jovens, contrariando os valores dos seus pais.
Nos anos 80 e 90, o flagelo do HIV e DST’s transformou a liberdade em medo surgindo um novo conservadorismo na Europa.
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Em 2001, a OMS define sexualidade como: “uma energia que nos motiva para encontrar o amor, contacto, ternura e intimidade; que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.”
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O conceito de saúde sexual está definido como: “um estado físico, emocional, mental e social de bem-estar em relação à sexualidade. Não é somente a ausência de doença, disfunção ou invalidez. A saúde sexual implica uma abordagem positiva e respeituosa da sexualidade e das relações sexuais, bem como a possibilidade de ter relações sexuais agradáveis e seguras, livres de coersão, discriminação e violência.”
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Entre a história e a actualidade verifica-se um vai e vem de libertação e repressão da sexualidade. A sexualidade é, em grande parte, uma construção social. 

A sexualidade é para ser descontraída. É provocar risos e não choros. É para gerar felicidade e não angústia. É para ser explorada solo ou a dois. É para ser livre de rótulos, crenças destrutivas, inibidores de líbido.
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O sexo é digno a partir do momento em que os dois corpos tal o quiserem. Sexo não é digno sempre que é obrigado, forçado, exigido.
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Pensa agora. Como é a tua sexualidade? Digna ou não digna?
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Voltarei a este tema sempre que necessário. No blog. 
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📸@man_speak

27
Abr20

Toda a relação pede fairplay

MartaGomes Saúde da Mulher

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Hoje vou confessar uma coisa.
Para aí há uns 10 anos atrás tinha inveja dos gajos. Não é que quisesse ser um, não. Não me via sem vestidos. Não me via sem um risco nos olhos. Não me via sem o meu cabelo comprido. Não me via sem uns saltos sempre que saía. Não me via a não namorar. Não me via sem uma série de coisas que, na minha opinião, definem uma mulher. Mas tinha inveja dos gajos. Inveja naquela medida em que os gajos são todos amigos, são todos manos e mesmo que tenham entre eles opiniões divergentes, discutem, até mandam umas bordoadas e depois fica tudo bem. 
Questiono-me se isto vem do desporto, do futebol, do FairPlay. Talvez seja uma estratégia de coping o que faz com que saibam estar numa posição de luta, de defesa, de ambição, de conflito com um adversário e, logo após ele cessar, o toque amigável surge. 

Será que o mesmo acontece entre as mulheres?

Sempre tive amigos homens. Mais novos, da minha idade ou mais velhos do que eu. Muitas vezes, foram os meus melhores amigos, aqueles com quem falava durante horas, aqueles em quem confiava, aqueles que me permitam divertir-me à vontade estando sempre de olho no que se passava à volta, que me levavam a casa, às vezes de madrugada, garantindo que ficava bem entregue, que me puxavam para um café ou um jantar mesmo quando decidia hibernar e massacrar-me com as minhas exigências, que me punham a jogar PlayStation ou mesmo a saltar de prédios em construção para a areia ou descer um lanço de escadas de bicicleta e fazer éguas. 
Por estas e tantas outras coisas para mim não faz muito sentido uma mulher não ter amigos homens. São dois seres opostos que foram feitos para se apaixonarem um pelo outro, é um facto. Mas, o facto de serem dois géneros diferentes não significa que obrigatoriamente um homem e uma mulher não possam ser só amigos, bons amigos.

Podemos aprender com eles e eles podem aprender connosco. Eu, sem dúvida, gostava de extrair essa essência deles do dito "fairplay". Gostava mesmo, do fundo do coração, que as mulheres se respeitassem umas às outras, fossem leais umas com as outras e, acima de tudo, se julgassem menos umas às outras. É certo que também já vi este padrão em homens em relação a mulheres. Um padrão que, desculpem, mas chamo padrão feminino. Porque parece que há algo enraizado em nós, mulheres, que incute a crítica da outra, a inveja da outra, a desconfiança da outra o que nos faz colocar um travão na interação umas com as outras, que nos faz achar que qualquer comentário tem sempre segundas intenções, que nos faz achar que um querida, fofa, linda é cínico se não temos qualquer ligação com essa mulher. Há tantas vezes uma falta de afectividade entre as mulheres que as bloqueia a dar um elogio a outra. E não acredito que tenha sido o crescente lesbianismo a gerar este bloqueio, sinceramente. 

Confesso que fico muitas vezes cansada com este padrão do feminino. Confesso que fico triste com tantas esquisitices entre as mulheres. A dificuldade em ter conversas abertas, em falar sobre questões que só mulheres podem compreender, só mulheres passam por elas, só mulheres podem encontrar soluções. 

No meu ponto de vista, todo o ser humano, independentemente do género, pode interligar-se. Haverá conversas, programas, etc, que só fará com alguém do mesmo género e haverá conversas e programas que fará com alguém do género oposto sem levantar qualquer boato, julgamento, etc. 

Às vezes pergunto-me em que mundo é que vivi há 10/20 anos atrás em que as minhas amizades não eram limitadas ao género e o mundo em que vivemos agora em que todas as minhas amizades, mesmo género e género oposto, são questionadas. 

Hoje vou confessar uma coisa.
Fairplay. Para melhores seres humanos portugueses. 

14
Out19

Esta... é sobretudo para os homens!

MartaGomes Saúde da Mulher

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Se o homem usa o poder, usa a sua capacidade financeira para controlar a mulher, usa a sua força muscular e a sua habilidade para trazer bens materiais para a relação, e, por sua vez, se a mulher usa a sua sensualidade, o seu corpo físico para se submeter ao homem e retribuir tudo o que ele lhe dá e, ainda, mais exigir, o que acontecerá quando este jogo de poderes se alterar? O que acontecerá quando a mulher tiver do lado dela a capacidade financeira para proporcionar a si mesma todos os bens materiais? Quem ficará aí com as dores de cabeça? Será que a mulher ainda se submeterá a uma relação sexual por cumprimento de um dever ou a procurará por vontade? Será o homem capaz de lidar com uma mulher com vontade, com desejo sexual? Será essa a mulher que o príncipe escolhe para sua princesa ou essa apenas será a amante? Será que a diminuição da libido nas mulheres vem desta tendência actual para a inversão do poder económico não compactuando elas com fretes? Ou virá de um feminino ancestral ferido? Ou será, também, que as crescentes dores de cabeça masculinas, impotência sexual e outras coisas mais vêm da incapacidade de lidar com uma mulher cada vez mais activa socialmente, cada vez mais atenta às suas necessidades, menos mãe do homem mas não por isso menos cuidadora, e cada vez mais segura na sua intimidade?

É certo que na cama domina o homem e a mulher, naturalmente, se submete ao domínio implorando, muitas vezes, sem voz para não perder a imagem de dócil mulher, para que o faça bem feito. Mas, se é pecado e é e nos foi concedido, porque não usufruírem os dois dele decentemente. Ou, vá, indecentemente lá como lhe quisermos chamar. Mas, porque é mesmo pecado? As relações sexuais têm o fim da concepção, certo? Então, não são pecado. Então, o pecado, foi inventado pelo Homem. O pecado foi inventado na criação de contraceptivos que impedem a concepção. Então, o pecado pode estar aí. Não na vida intima do casal. Ou estarei eu a deturpar informação?

A vida íntima é fundamental. Pode-se dizer mesmo que corresponde a 50% da ligação num casal. Caso ela não funcione, seja rejeitada, seja vista como pecaminoso, seja vista como uma obrigação, um dever, estou certa que a relação existe por muitos outros motivos digo que, logisticos? Ou seja, dá um considerável jeito. 

A luxúria é um dos 7 pecados mortais. A lúxuria não está ligada à riqueza como o nome parece indicar. Se lermos mais sobre os 7 pecados mortais podemos ver que a luxúria está ligada ao prazer. A luxúria ou lascívia é uma emoção de intenso desejo pelo corpo. Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes, sexualidade extrema e sensualidade. Sendo a mulher dotada de uma essência sensual, sempre que a intensifica, é considerada uma pecadora nata. Por isso, nos ensinam a não usar decotes, soutiens de renda, cuecas reduzidas, lábios vermelhos ou meias de ligas. A mulher não se pode dar a esse, digamos, luxo. E eis que surge a saga das Cinquenta Sombras de Grey que entusiasmou tanto o homem como a mulher. As mulheres passaram a suspirar pelo homem que as dominasse na cama, que se preocupasse com o seu prazer, e que as encantasse com viagens de helicóptero, uma casa brutal, carro, vestidos, tecnologia de ponta e mais não sei o quê. Será este o novo conceito de principe encantado que se terá criado? Pobres homens...Pobre Homem que tem que recorrer aos bens materais para despertar o desejo ou o dever de retribuição numa mulher. Eu não li os livros mas, pelo que vi nos filmes, a querida Anastacia, virgem quando conheceu o Grey passou a imagem de ter ficado absolutamente sua. No entanto, ao longo das temporadas ela foi mostrando que a submissão era apenas aceite num campo. Na cama. Como todas as mulheres assim o desejam. E, a partir de um dado momento, ela já não era assim tão frágil. Ela já tomava decisões, já se impunha perante ele. E já sabia bem o que queria no sexo. E a sua sensualidade cada vez ficou mais desperta. Agora, a grande questão que me assola é? Será que ele só ficou com ela "para sempre" porque ele tinha sido o seu único homem e, dado isto, ele estava confiante de que a energia sexual dela apenas se dirigia para ele? Ou... será que, caso ela tivesse tido outras pessoas antes dele ele seria capaz de aceitar a energia sexual dela escolhendo-a para sua "eterna" esposa? Será o homem capaz de lidar com a sensualidade, com a energia sexual da mulher, com tudo o que ela abarca, com tudo que ela é, confiando, acima de tudo, em si próprio? A mulher é um ser sensual. A mulher é um ser, talvez, pecador. Assim, como o homem. Não estaremos cá para trabalhar exatamente isso? Pecados? Ou escombros? Por qual começamos?

Ninguém tem que sentir culpa por prazer. E o prazer não pode estar associado à culpa. Sim à liberdade. 

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