Numa relação és co-dependente?
Confesso que é uma questão que já se vem a arrastar na minha cabeça à uns bons tempos. Depois entretanto surgiu o filme "marriage story" e eu disse, yeap! E depois vi um vídeo da Rachel Hollis a tocar também nesse assunto e foi aí que decidi instalar uma sondagem no instagram para escrever sobre o tema.
É um tema peculiar porque cada um terá a sua percepção e os seus argumentos.



Quando não estamos numa relação chamam-nos muitas vezes independentes. A minha questão é: o que é ser independente e o que é ser co-dependente? Será que só podemos manter a nossa "independência" quando não estamos numa relação?
Não tendo nenhuma relação amorosa podemos fazer coisas sozinhos ou então precisar sempre de alguém que nos acompanhe. Podemos seguir o nosso próprio instinto, fazer o que realmente queremos, o que decidimos que é melhor para nós ou podemos decidir embarcar no que os outros fazem e acoplarmos-nos a eles decidindo fazer tudo apenas com eles.
Ou seja, podemos não estar numa relação de um para um, numa relação amorosa, mas estamos a estabelecer relações, conexões, e podemos, também, ser co-dependentes de um grupo. Podemos sê-lo sempre ou podemos ser só de vez enquando. Seremos olhados de lado nesses momentos de dita "independência"?
Agora falando numa relação, num relacionamento amoroso, num namoro ou num casamento... fará ou não sentido fazer tudo sempre com o par?
Falando na primeira pessoa, eu sempre cometi o erro de num relacionamento fazer tudo sempre com o namorado. Ia com ele para todo o lado e ele ia comigo para todo o lado. Ele até podia fazer coisas só com os amigos dele e eu ficava em casa mas eu fazer coisas com um grupo sem ele estar presente não me fazia sentir bem. Nunca namorei com ninguém do meu grupo de amigos, ao contrário das minhas amigas, logo eu estar sem namorado enquanto os delas estavam presentes era sempre aquela sensação de "porque é que estás sem o teu namorado?!". Quando namoramos e saímos sem o namorado surgem aqueles comentários de "que relação é aquela 😱". E esses comentários entram tanto na nossa mente que nos fazem criar barreiras no campo da socialização. Se estamos sozinhas há o comentário de "o que está o teu namorado a fazer?", "namorada minha não andava sozinha na rua", "não parece nada bem andares sem o teu namorado". A minha questão é: Porquê? Porque sou mulher? Não posso sair com amigas de vez enquando? Não posso sair com amigas e amigos de vez enquando? Será que só posso sair se ele também estiver a fazer alguma coisa com amigos? Será que ficarei insegura se ele sair com amigas e eu não estiver lá? Será que tenho mesmo que estar sempre presente em todas as suas situações sociais mesmo que quase não abra a boca para mostrar que ele tem namorada? Será que a partir do momento em que namoramos a nossa vida passa a ser a do outro e a vida do outro passa a ser a nossa vida? Será que perdemos os nossos momentos, as nossas conversas só de mulheres, as nossas palhaçadas que só com quem temos imensas vivências entende?

Tenho tido muita sorte. Tenho amigas do coração que sempre estiveram lá. Sempre aceitaram quando embarcava num relação e me afastava e sempre me receberam de braços abertos quando voltava. E que me ensinam muito sobre relacionamentos sem se aperceberem. Ensinam-me como é possível fazer coisas com o marido, com o namorado e como é possível fazer coisas comigo quando eles ficam em casa na paz. Porque não é obrigatório que cada um saia no mesmo dia para ser permitido a mulher sair. Porque não é obrigatório andarmos sempre em par e sermos adendas. Porque não é obrigatório vivermos sempre a vida do outro e perdermos a nossa. E não é obrigatório sairmos sempre com a presença masculina. Essa crença limitadora em muito influenciou a minha vida, em muito influenciou as minhas atitudes, as minhas escolhas e a minha busca de ar fresco. E é também, essa a lição que retiro do "marriage story". Um dia vamos ficar cansadas. Um dia vamos querer a nossa vida sem ouvir comentários. E em vez de fazermos um switch off nessas crenças limitadoras de julgamentos e auto-julgamentos terminamos relações que no fundo eram realmente boas. Porque, afinal, só não soubemos estar nelas de forma a mantê-las.
