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Saltos ⭕️ & Sapatilhas

| Women’s Health Lifestyle Blog| Um blog cheio de modernices, feminices e pedacinhos de neura com ciência.

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Saltos ⭕️ & Sapatilhas

30
Jun20

Transição de menina para mulher

MartaGomes Saúde da Mulher

Transição de menina para mulher

 

Muitas vezes queremos ignorar essa transformação. Não queremos sofrer e toda a mudança dói, toda a transformação dói. Tentamos abafa-la com padrões e padrões de menina, de adolescente. Fugimos de nos responsabilizarmos por nós próprias. Pensamos, alguém o fará. Alguém sempre o fez. Alguém protegia, alguém decidia, alguém abria caminho. Menina sem reconhecer a força interior, sem se conhecer, sem saber o que quer porque nunca lhe punham essa questão-chave. Indecisa, donzela quem sabe, a querer afirmar-se, a querer sair desse corpo de menina mas, interiormente, quando será que essa transformação ocorre mesmo?

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Dói. Muitas mulheres referem que a sentem no momento do parto. Outras depois de um relacionamento que as fez reconhecer que a única pessoa que se pode e deve responsabilizar por ela, é ela própria. Outras, quando confrontadas com a outra parte de si, a mais sombria, a mais escondida, a mais selvagem tantas vezes em versão bad guy. Outras ainda, precisam de todo o cocktail para sentirem a transformação e mesmo assim querem continuar a resistir.

 

Desde a adolescência a vida coloca-nos em imensas situações no sentido de nos preparar para essa transformação. A menina que se transforma em mulher. A passagem do mundo cor-de-rosa para a vida real decisiva e mutável. Essas situações vão crescendo e crescendo até registarmos essa evolução, até assumirmos o nosso crescimento, o nosso desenvolvimento, a nossa transformação. Tal como a lua em quarto crescente se vai transformando em lua cheia. A transformação de menina a mulher. Mulher que tem voz, que decide, que sabe quem é e, como todas estas premissas, sabe o que quer. Se calhar não é assim a definição de senhora. Mas, de mulher, é e será.

29
Jun20

A paixão faz parte da dor de crescimento

MartaGomes Saúde da Mulher

A paixão faz parte da dor de crescimento. A paixão vem, sem avisar, marcando uma fase de expansão, de crescimento. É intensa, curta e impulsiva. É exatamente o objectivo dela. Impulsionar uma mudança. 
Não sei como a atraímos. Não sei se é escrevendo sobre o que nos apaixona que ela surgirá. Acredito mais que é quando tomamos decisões difíceis, daquelas que fazem doer a barriga, tirar o sono, pensar várias vezes nelas que, passados uns tempos, surge, amarra-nos e diz-nos "quanto tempo vais continuar a contrariar o vento que te trouxe até mim?".

A paixão é um estado de loucura. Faz-nos perder as amarras ao material, ao físico, ao racional. O tempo congela. Ou nem damos por ele passar.

Faz-nos correr riscos. Desafia-nos todos os dias. Leva-nos ao alto e baixo mesmo dentro do próprio dia. Por isso, não dura mais do que 3 meses. Mostra-nos, durante esse tempo, o nosso potencial. Abana-nos com frases de "já fazias algo pela tua vida". Não nos quer moldar, não nos quer definir, não nos quer para sempre porque sabe que não pode ficar. Produz amor e dor. E vem fazer exatamente o que tem a fazer. Fazer-nos acreditar que existe paixão, fazer-nos acreditar na verdadeira motivação, fazer-nos acreditar no amor, fazer-nos acreditar. No fundo, o propósito dela é fazer-nos acreditar. 
Depois dela, só haverá o After. 

Quando bate forte

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19
Jun20

Workshop On-line “Respiração em atenção plena”

MartaGomes Saúde da Mulher

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Bebé, semeias hoje.

Colhes amanhã.


Não, não é um workshop onde vou dar técnicas de agricultura. Não, não é a minha área. Mas a minha área é o orgânico, o biológico. É a compreensão do corpo, do seu funcionamento, do seu ritmo, do seu movimento. 
A respiração é o que nos dá vida. É o que nos permite viver de forma independente, sem máquinas ou botijas. É aquilo que fazemos constantemente sem pensarmos. É automática e queremos que assim seja para continuarmos neste mundo.  Mas, será que quando pensamos nela, quando a trabalhamos conscientemente, não estamos a conectar o corpo com a mente? Estamos! A respiração é um dos nossos maiores veículos de conexão. Conexão entre o corpo e mente, conexão com o presente, conexão com as nossas intenções, conexão com tudo pelo qual somos gratos, conexão com a vida. 
E é isso que vamos fazer neste workshop online dia 27 de Junho às 15horas. 
Serão partilhadas técnicas de respiração consciente, ferramentas para viver no presente e técnicas para despertar os sentidos. 
Resumindo, foco em inspirar coragem e expirar medo.

Inscrições até dia 24 de Junho através do e-mail barrigasdsonho@gmail.com

 

Data: 27 de Junho de 2020

Local: online, via zoom

Horário: 15-16h

Investimento: 15€


Se querem investir no auto-cuidado, este é o workshop para vocês. ❤️

Com carinho,

Marta Gomes

 

01
Jun20

Comunidade Barrigas d'Sonho: como funciona?

MartaGomes Saúde da Mulher

Na Marta Gomes - Saúde da Mulher estão disponíveis diversos serviços com o objectivo comum de oferecer à Mulher os melhores cuidados de saúde online.

Desde consultas, workshops, programas e a Comunidade Barrigas d'Sonho, tudo se foca nas necessidades do público feminino permitindo o seu cuidado, a sua potenciação através de um clique, sem necessidade de deslocação, sem enfrentar o trânsito ou desesperar com estacionamentos e, sem pensar em ter que viver em grandes cidades para ter mais e melhores acessos à saúde. 

Ela está, agora, num formato digital, pronta para melhorar a vida da Mulher.

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Defino a Comunidade Barrigas d'Sonho como uma coroa de flores. É um círculo. É um conjunto de mulheres formando grupos. E grupo a grupo é formada uma comunidade. É, também, um ciclo. Um ciclo de 3 níveis, em que cada mês é um nível, com descobertas, auto-conhecimento e experiências. E um novo ciclo de repetição destes 3 níveis com o objectivo de auto-reconhecimento, integração da mudança e novo mindset sobre nós próprias. 

Ou seja...

O primeiro nível é uma avaliação. Uma avaliação e um conhecimento do próprio corpo. Avaliam a respiração, avaliam a capacidade de ativação abdominal, avaliam a mobilidade de pés, tornozelos, punhos e estabilidade escapular e, por último, a querida mobilidade pélvica.

As sessões têm todas um encadeamento sendo que precisam sempre da sessão anterior para a realização da seguinte. Há uma integração entre elas colaborando no desenvolvimento da consciência corporal continuamente.

O nível 2 é um nível de libertar e drenar. É um nível de potenciação da respiração e flexibilidade tornando o corpo menos tenso e com menos retenções.

O nível 3 é um nível de potenciação de competências. Um nível de explorar o controlo motor ao máximo.

No final dos 3 níveis, o fim de um ciclo, inicia-se um novo ciclo. Um ciclo de repetição dos 3 níveis, repetição do programa para que reconheçam as diferenças no corpo após 3 meses. Ao voltar ao nível 1, ao voltar a avaliar ou reavaliarem-se, vão ter consciência da evolução do vosso corpo e irão trabalhar a capacidade para se reconhecerem no vosso novo corpo. É muito importante estas competências para verem e sentirem como a mudança aconteceu. E por aí em diante.

 

Uma comunidade com uma sessão prática por semana e um workshop temático por mês. A sessão prática é formada por estratégias de toque e movimento (contendo pilates, yoga, movimento natural). O workshop tem uma componente teórica e uma componente prática independentemente do tema. Todas as sessões são presenciais via zoom. Terão acesso à gravação das sessões através de um grupo no Telegram para partilha das gravações. Podem fazer as sessões em modo presencial, como podem realizá-las através das gravações dando-me feedback do que sentiram e de dúvidas que tenham. No Telegram podem também expor as dúvidas e partilhar experiências umas com as outras de forma a potenciar a inter-ajuda e a motivação para o auto-cuidado. O foco da comunidade é este. Dedicarem uma hora, pelo menos, uma vez por semana para vocês próprias. Para pararem, focarem-se no vosso corpo, conhecê-lo, senti-lo e desafiá-lo. E a maior vantagem de todas é que podem fazê-lo no horário que mais vos convier estabelecendo a vossa rotina própria usando as gravações. Como podem, também, fazer a vossa sugestão do horário para a sessão presencial e, de forma a encaixar todas as sugestões, prometo encontrar o horário mais vantajoso para os grupos. 

 

Proponho a subscrição da comunidade por, pelo menos, 3 meses para que completes o ciclo. Mas, a subscrição será mensal.

Três meses é o timing ideal para reproduzir mudanças no nosso corpo, hábitos, rotinas, e, acima de tudo, tornar-nos capazes de cuidar mais de nós próprias e permitirmo-nos receber desformatando o constante "dar, dar, dar" que nós mulheres fomos "programadas" para o fazer. 

 

Para mais informações sobre a subscrição mensal, dúvidas de não te sentires segura, confiante da tua condição física, presença de alguma patologia ou limitação, envia-me email para barrigasdsonho@gmail.com e esclarecerei todas as dúvidas. 

 

 

27
Mai20

Desculpa corpo

MartaGomes Saúde da Mulher

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Desculpa corpo. .
Desculpa por tantas vezes te atacar. Por tantas vezes te criticar. Por tantas vezes te rejeitar. Desculpa. Desculpa por dizer que não eras bonito. Desculpa por dizer que as tuas coxas eram demasiado grossas, a tua anca era larga, o rabo notava-se muito e os teus pés eram feios. Desculpa por dizer que as tuas mamas eram pequenas demais. Desculpa por dizer que a tua cara não tinha jeito nenhum e era uma vergonha mostrá-la ao mundo. Desculpa por todas as vezes que não queria sair contigo à rua, que não queria que te vissem, que não queria que te tocassem. Desculpa por todas as vezes que não te respeitei. Por todas as vezes em que exigi demais de ti, por toda a pressão que te coloquei. Desculpa por te ter usado tantas vezes não permitir a tua voz e decidir cumprir a decisão dos outros. Desculpa por tantas vezes te ter silenciado com comida. Por tantas vezes te ter levado ao limite com álcool. Desculpa por tantas vezes ter vergonha dos teus movimentos, das tuas formas, da tua expressão, dos teus sons. Desculpa por tantas vezes escolher o que dava mais jeito e não o melhor. Desculpa por tantas vezes não te cuidar, não te mimar, não te valorizar e procurar quem o fizesse. Desculpa, também, por não aceitar tantas vezes que te elogiassem. Desculpa por muitas vezes não respeitar o teu cansaço e não atender à tua tensão. Desculpa por todas as batalhas que travei contigo. Agora, sinto uma grande vontade de te abraçar. Agora, sinto uma grande vontade de te mimar. Agora, sinto uma grande vontade de te tocar. Agora, sinto uma grande vontade de te valorizar. Obrigada. Obrigada por sempre estares na tua melhor forma possível face a todas estas minhas constantes objecções. És o melhor ❤️
.
São tantas as vezes que precisamos de nos perdoar a nós mesmas. 🙏

A comunidade barrigas d'Sonho é um programa de auto-cuidado, conhecimento e potenciação do corpo. 
Aula gratuita esta sexta-feira. Junta-te. 🤗

email: barrigasdsonho@gmail.com

23
Mai20

O meu lado lunar

MartaGomes Saúde da Mulher

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O meu pai usa muito a expressão “és mesmo de luas”.

Talvez ele não saiba que é mesmo assim. Talvez ele não saiba que a mulher é feita de fases, que a mulher é feita de ciclos. Talvez ele o diga até como critica mas, por eu ter consciência que é tão verdade, não a vejo como tal.

Olhando para a lua, hoje é a transição de quarto minguante para lua nova. A lua fica pequenina, pequenina, pequenina, até desaparecer. Até ficar sem luz. Até morrer. E, assim, iniciar um novo ciclo de crescimento. Um novo. Um novo ciclo em que uma nova luz vai crescer.

Hoje, é isso que sinto. Uma parte de mim a ficar pequenina, pequenina, pequenina. Uma parte de mim a ficar silenciosa. Uma parte de mim a ficar com menos poder. Essa parte é o ego. Essa parte é a voz que quer sempre a todo custo assegurar a sobrevivência, o certo, o confortável. A parte de mim que está sempre à procura da falha, do que correu mal marcando-o como algo errado e tentando preveni-lo como proteção.  Uma parte de mim que acredita que o que não deu certo no passado não dará certo no futuro. Uma parte de mim com medo de arriscar, com medo de ir atrás de sonhos, com medo de ser. Essa parte, aos poucos e poucos, talvez mês após mês, vai perdendo a força como a lua em transição de minguante para nova. E hoje é dia de fazer luto. É dia de deixar cair as lágrimas.  Dia de me perdoar por ter ficado anos com tanto medo, com tanta rejeição, com tanta crença de que nunca mais seria capaz, de que nunca mais queria tal na minha vida.

Dia de, mais uma vez, ver que nada acontece por acaso, que tudo tem o seu tempo, e que há sempre um próximo nível para viver.

"Nothing in life is to Be fear. It's only to Be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less." @MarieCurie 

21.05.2020

19
Mai20

Saúde da Mulher. Sim, é o meu público

MartaGomes Saúde da Mulher

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Muitas vezes questionam-me: Então, o teu público-alvo é só mulheres?. E eu, sem me aperceber, como se sentisse vergonha, retraio-me e digo sim, mas também posso trabalhar com homens. 

Na verdade, o meu foco é a saúde da mulher. Na verdade, o meu foco é colaborar para o desenvolvimento do potencial da mullher. Na verdade, o meu foco é que a mulher veja o ser incrível que é. Na verdade, o meu foco é criar ferramentas para que as mulheres resolvam os seus problemas por si próprias. Na verdade, o meu foco é ajudar a que as mulheres se tornem melhores. 

Ou seja, não as melhores, não as superiores, não as fortes, invencíveis e mais além. O meu foco é apenas e só que a mulher seja ela própria sem vergonha, sem medo. Que a mulher seja afectiva, criativa, vulnerável, honesta e estabeleça, primeiramente, uma boa relação consigo própria. Para mim, tal é saúde da mulher. Para mim, tal é saúde familiar. Para mim, tal é saúde do homem. Para mim, tal é saúde infantil. Para mim, tal é saúde laboral. Para mim, tal é saúde na comunidade.

Não sei se é por ser mulher. Não sei se é por ter procurado sempre respostas. Não sei se é por ter tido um período de desenvolvimento da personalidade em que sempre fui confrontada com as responsabilidades de uma mulher numa família, as responsabilidades de uma mulher numa relação. Não sei se foi por tantas vezes ver mulheres esquecidas de si próprias. Não sei se foi por tantas vezes ver mulheres a querer sempre agradar os outros e sem saberem responder à questão de o que as agradava.  

Podem ter sido inúmeros fatores que me levaram para este caminho mas, o que é certo, é que é neste tema que a minha criatividade expande, que a minha vontade de estudar história, cultura geral desperta, que a minha vontade de me debruçar sobre filosofias e psicologia analítica se vem juntar a toda uma construção de estudo do corpo de anos.

Comecei com a minha tese de licenciaturas em grávidas. O meu objectivo era pós-parto mas há 12 anos atrás eram inexistentes. Fechavam-se em casa e ninguém as via. Não procuravam reabilitação, não procuravam ajuda, o baby-blues era mais do que falado e o pós-parto era, por isto tudo, visto como negro.

O pós-parto é dos maiores desafios de uma mulher. São imensas as transformações no seu corpo e no seu íntimo. Primeiro, um corpo que se vai modificando ao longo de 9 meses mas, o facto da barriga estar preenchida por um novo ser, por uma nova vida que se espera com tanto entusiasmo, faz com que muitas vezes a mulher se mime mais e é, também, mais mimada por todos à volta.

Quando o bebé nasce, de repente, a luz dela apaga. A mulher passa a mãe e deixa de ser o foco. É um ultraje se alguém ousa dar uma prenda ou mimar a mãe em vez do bebé, do novo ser. O papel da mulher é agora de servir. De ser cuidadora. Cuidadora do bebé, cuidadora da família. É aquele momento em que sempre que ela receber e não der será julgada e apredejada. 

O que mais me dói não é tanto o julgamento por parte dos homens porque eles não fazem ideia do que é ser mulher e não fazem ideia do que é gerar um novo ser, dar à luz e amamentá-lo. O que me dói é ver o julgamento entre mulheres. De julgarem o que uma não faz em vez de verem o que tanto ela tenta fazer. De julgarem o comportamento de uma mulher por aquilo que percepcionam que ela se tornou. De apontarem o dedo quando vêem uma mulher a ter a vida dela, a tomar as decisões dela, a respeitar-se a si própria, a cuidar-se quando devia estar a fazer o que toda a sociedade considera que é correto, cuidar do outro. 

Mais uma vez, o pós-parto não é fácil. É um período que não se quer passar sozinha. É um período com um novo ser, que não se conhece apesar de ser nosso. É uma nova identidade. É alguém que está a descobrir o mundo, está a ter as primeiras experiências neste mundo e nos estamos a descobrir com ele também. Ser mãe é um novo mundo. Ninguém nasce ensinada, ninguém está preparada apesar de existir algo de inato que permite essa conexão com o novo ser. 

Tudo o que é novo absorve-nos. Tudo o que é novo faz-nos alterar rotinas, comportamentos e até formas de ver as coisas. Tudo o que é novo acrescenta-nos e muda-nos. E é muito importante fazer este caminho com ajuda. É importante um pai activo, um pai presente. O homem é, muitas vezes, visto como o responsável por assegurar segurança, casa e dinheiro à familia. Mas ninguém é feliz com sobrecarga. Os papéis estão cada vez mais a ser divididos. Um homem, um pai, pode, também, ficar com o filho enquanto a mãe vai fazer algo que gosta como fazer recuperação pós-parto, como ir ao cabeleireiro, como ir comprar algo para ela prórpia, como ir almoçar com as amigas. Porque é que a sociedade crítica? E se o pai der sempre a desculpa de que vai trabalhar e for, na realidade, ter um encontro? E, se um pai, dado o pós-parto conferir muitas alterações de humor na mulher e uma líbido reduzida, tiver uma vida dupla, porque é que a sociedade não crítica?

Se, realmente, quisermos ver bem o que se passa à nossa volta, a mulher é o alvo de crítica. A sociedade definiu um papel para a mulher que faz com que quem saia dessa definição lhe seja apontado o dedo. 

Não sei se é por ser mulher ou não que tenho esta visão. Não sei se é por ser mulher ou não que acredito tanto na saúde da mulher integrativa, na abordagem biopsicossocial. Sei que sou mulher. E que é neste caminho que vou vejo futuro. É neste caminho que vou continuar. 

15
Mai20

Dizem-nos “Homem não chora”

MartaGomes Saúde da Mulher

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Dizem-nos “Homem não chora”. E não pode haver repressão mais cruel. Sou mulher. Mas sou uma mulher no mundo dos homens tantas e tantas vezes. E, no mundo deles, de facto sinto essa repressão brutal de que não posso chorar, de que não posso sentir, de que não posso ser sensível, ser emotiva, ser transparente. Sinto pra caraças toda a pressão colocada no mundo dos homens. Não é a mim que é colocada. É nos homens. E é em todo o ser que ouse entrar e fazer parte deste mundo.

Talvez, por isso, os homens sintam tanta necessidade de proteger as suas mulheres. Talvez, por isso, pelos homens saberem tudo o que passam neste mundo, queiram as suas mulheres seguras, confortáveis e a terem lá as suas neurazitas em casa sem que ninguém veja. Talvez, por isto, os homens aguentem a carga e, em vez de, mudarem a coisa, serem mais empáticos, mais vulneráveis, mais autênticos com o tal medo de levar gozo, mantenham a pressão de que “homens não choram”. Quem afirma mesmo esta frase? São homens? São mulheres? Ou são ambos? Não estamos todos a fazer asneira e a escolher a dor, o sofrimento, a pressão, o ego, em vez da liberdade e autenticidade?! Muito se fala de empatia e ser autêntico. Mas, até que ponto, alguém que não chora, chega lá?

Eu fico lixada de cada vez que quero chorar e reprimo.

O homem chora. A mulher no mundo dos homens também chora.

12
Mai20

A personalização da crítica

MartaGomes Saúde da Mulher

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Algo que realmente é importante estudar mais, trabalhar mais, falar mais, é a questão da personalização da crítica.

Falamos sobre isso num direto no Instagram. Filipa Silva refere um Eu profissional e um Eu pessoal. Já li, também, várias vezes sobre isso mas sempre questionei se tal era seria possível e, fundamentalmente, se tal seria realmente bom para nós. Como tudo, tem os seus prós e os seus contras. Ao despersonificarmo-nos creio que perdemos a camada emocional naquilo que fazemos, ou seja, perdemos a camada emocional no tal eu profissional. O eu profissional será um eu formatado para fazer algo que todos esperam que seja feito da maneira como foi determinada na sociedade. Associo, muitas vezes, este tal eu profissional ao ego. E o ego é o eu controlado, super racional que assegura, mais do que tudo, a sobrevivência. Com ele nada pode falhar ou estaremos em perigo. O ego não quer falhar. O eu profissional não pode falhar. E é assim que assumimos esta dureza do eu profissional. Para mim, um robot programado, o qual foi formatado para fazer aquilo exatamente daquela determinada forma. Sempre.

Quando falha e é criticado, facilmente, pode sentir a personalização da crítica. Porque sente que a sua segurança, o seu controlo determinado pelo sistema operativo inserido está a ser ameaçado e não compreende porquê uma vez que foi exatamente programado para tal.

Daí não ser a favor desta separação de eu’s. O eu pessoal estará acoplado ao eu profissional se queremos dar o nosso cunho ao que fazemos, se queremos adicionar-lhe uma camada emocional, se queremos criar impacto, se queremos por um pedaço de nós em tudo aquilo que fazemos e assim acrescentar.

Onde entra aqui o lidar com a crítica a nível profissional?

Confesso que a crítica que me custa é realmente a crítica da pessoa para a qual presto diretamente o meu serviço, dou o meu produto de forma a acrescentar-lhe valor, mostro um pedaço daquilo que sou e, aí sim, uma crítica destrutiva vinda do “meu” público, do público que interage comigo e com o qual eu interajo, custa-me. Não sinto um ataque a mim própria, àquilo que sou mas faz-me pensar o tipo de empatia que temos, faz-me pensar em atitudes que foram apontadas na crítica e faz sentido analisar-me a mim e a analisar a pessoa que a fez de forma a poder atribuir-lhe valor ou não.

Em qualquer crítica destrutiva, na minha óptica, é essencial avaliar a pessoa que a fez. Na maioria das vezes, iremos perceber que não faz sentido centrarmo-nos na crítica, personalizarmos a crítica e personalizarmos quem a fez. De críticas destrutivas está o mundo cheio. E, muitas vezes, começam em nós, naquela vozinha interior que nos crítica e que não nos quer deixar sair do formatado, do controlado, do comum. 

Perante a crítica, a minha âncora é esta: recordar que, sempre que apontamos um dedo, os outros quatros estão apontados para nós. Será a crítica mesmo para alguém ou será diretamente para nós?

10
Mai20

À distância de um clique

MartaGomes Saúde da Mulher

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Sabem quando nos metemos a fazer alguma coisa à distância? Sabem quando nos metemos  em amizades à distância? Sabem quando nos metemos em relações à distância?

Pois é. Toda a gente nos diz que não vai dar certo. Toda a gente diz que isso é só aquele entusiasmo inicial e, mais dia menos dia, a coisa apaga. 

E nesta onda de opiniões alheias seguimos e embarcamos de que, realmente, o diferente, o inovador, não funcionará. Poderá até funcionar mas não nas nossas mãos. Poderá até funcionar quando vier alguém e depois outro e depois mais 5000 pessoas no mínimo dos mínimos mostrar como, afinal, até funciona. Afinal, até é um bom serviço. Afinal, até permite tantas coisas que antes não eram possíveis.

 

Há 10 anos atrás saí a primeira vez de casa. Fui um mês para Barcelona. Para os meus pais parecia que, de repente, nunca mais iam ver a filha. Para mim, foi uma aventura que me deixou de sorriso de orelha a orelha. Há 10 anos atrás não tinha roaming gratuito. Há 10 anos atrás, para conhecer Barcelona sozinha andava de mapa na mão. Há 10 anos atrás já não me recordo qual era o meu telemóvel mas sei que não tinha video. Há 10 anos, para falar com os meus pais, tinha a chamada de voz, sem rosto, as mensagens, sem rosto, e o skype, o grande skype, com rosto! E era assim que me viam a cozinhar e, às vezes, jantavam comigo. Era assim que me perguntavam como é que tinha sido o meu dia. Era assim que me diziam o que tinham feito. Era assim que a minha mãe me mostrava o novo corte de cabelo. Era assim que o meu avô, com os seus 91 anos, ficava estupefacto a olhar para um ecrã e a exclamar como é que era possivel sentir como se eu estivesse ao lado dele.

 

Passaram 10 anos e muitas vezes não traçamos esta linha do tempo e não vemos o quanto o mundo evoluiu, as quantas facilidades temos hoje e o sem número de recursos que temos hoje para melhorar, em muito, a nossa qualidade de vida. 

 

Depois desta distância do social, as pessoas reclamam por conexão, por estarem umas com as outras, por terem a presença uns dos outros num mesmo espaço. Eu, espero, do fundo do coração, que isso passe realmente a acontecer.

 

São inúmeras as vezes em que as pessoas se reúnem num mesmo espaço e estão mais conectadas a outras fora daquele espaço através do telemóvel.

São inúmeras as vezes em que as pessoas se reúnem num mesmo espaço e estão mais conectadas com a vida das outras pessoas através dos quadrados perfeitos que vêem nas imagens do instagram ou facebook dos outros. 

São inúmeras as vezes em que as pessoas se reúnem num mesmo espaço com o objectivo de serem ajudadas, serem tratadas, e estão mais conectadas com o que têm para fazer amanhã ou nos planos do futuro não estando conectadas ao momento presente.

 

Fala-se em conexão presencial para estimular vias e neurotransmissores que, o ser humano como ser afectuoso, precisa. Mas, quantas vezes, o presencial é verdadeiramente presencial?

 

Não digas não ao novo, ao inovador, ao desconhecido. Amanhã perceberás o quanto acrescentou na tua vida.

 

À distância de um clique.

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